A LENDA DOS DOZE HOMENS DE OURO

11/09/2015

Fonte : Antenor C. Rego Neto – Delpol/RJ
 
 


Por que a lenda?...Cada realização de um povo, cada líder, cada descobrimento, se veste de lendas aladas. Os doze homens de ouro na Polícia Civil do Rio de Janeiro representam essa lenda alada porque expressam uma imagem pujante de verdadeiro significado coletivo: o combate veemente do crime por homens corajosos e destemidos, em defesa dos mais fracos e oprimidos, fazendo prevalecer à ordem e a justiça e as consequências da violação das leis penais para o bem-estar da coletividade. As lendas simbolizam a vontade de um povo e não poderíamos citar uma só lenda que seja de um todo falsa. No caso dos “homens de ouro” da PCERJ eles são considerados verdadeiros guerreiros a inspirar a construção de modelos de condutas de enfrentamento, com destemor, àqueles que desrespeitam as regras sociais. Entretanto, como uma lenda, está cheio de polêmicas e é claro não poderiam faltar aqueles que caluniam e os detratam e escolhem outros heróis como Manuel Moreira, o “Cara de Cavalo”, José Miranda Rosa, “o Mineirinho”, como os artistas Hélio Oiticica, e Clarice Lispector e outros intelectuais. Com relação aos artistas temos pelo menos uma atenuante: poderíamos até respeitar estas opiniões porque aos artistas, como diz o provérbio: “tudo é permitido...” uma vez que se tratando de artes criam-se gostos para tudo, assim, na cinematografia, temos os filmes de Lamarca, Carlos Marighela, Lúcio Flávio, Lili Carabina e outros.., havendo clientela que os aprecie. Infelizmente não podemos dizer o mesmo com relação ao pensamento emitido pelo segundo grupo, entretanto, antes de contradizê-los, cabe louvarmos o uso desse combustível inflamável, porque alimentam a fogueira, atestando o caminho inabalável de suas ações heroicas, reafirmando sua índole extraordinária, além do que, é bom lembrar, para o nosso conforto pessoal, que até Cristo e Buda foram caluniados.
A confusão é tanta que misturam fatos, distorcem acontecimentos com a única finalidade subverter e impor com o seu discurso uma verdade científica, que é na verdade fruto de uma versão pessoal e ideológica do poder, assim como ensina o festejado Foucault, em sua crítica ao positivismo, todo o conhecimento é relativo porque passa pela interpretação dos fatos, através da cultura, logo, o que temos, não passa de uma concepção subjetiva da análise de sua linguagem.

Desta forma conspiram equivocadamente em difundir ideias subvertidas ligando “esquadrões da morte” aos “doze homens de ouro” e estes com a Scuderie le Cocq e neste mesmo “balaio de gato” ou melhor, neste mesmo samba do “crioulo doido” aproveitam para colocar entre suas vítimas opositores políticos de esquerda, mortos durante “Kaeshi waza” sofrida em 1964. Assim vamos as derradeiras explicações, uma vez que são fenômenos completamente distintos, e para ser claro, vamos ser pontuais com máxima concisão:

1. Em 1957, no governo democrático de Juscelino Kubtchek, o então Secretário do Departamento Federal de Segurança Pública (DFSP), general Amaury Kruel, relacionado atualmente na lista da Comissão Nacional da Verdade, criou, a pedido da Associação Comercial do Rio de Janeiro, a S.D.E (Serviço de Diligências Especiais) para coibir onda de roubos e assaltos que assolavam o estado, tendo amplo e irrestrito apoio de grande parte da imprensa.
2. A Polícia Especial, de onde alguns dos “homens de ouro” são egressos, não é nenhum órgão exterminador de pessoas que cometem delitos de pensamento e sim fez parte da reforma estrutural dos organismos policiais, levado a cabo em 1937 pelo ex-militar e Chefe de Polícia do Distrito Federal João Alberto Lins e Barros, em conformidade com os mais altos princípios modernistas, inspirado no Projeto Batista Luzardo, devendo ser destacada a sua atuação, com sucesso, na repressão ao levante da milícia integralista de Plínio Salgado em ataque ao Palácio de Governo. A Polícia Especial ficou famosa na última gestão do Presidente Vargas. Respeitada pela população e temida pelos bandidos, em meados da década de 50, o grupo usava nas motos o emblema E. M. – Esquadrão Motorizado.
3. A Scuderie Le Cocq é uma associação de ajuda mútua, fundada pós-contra-golpe de 64, ao estilo Lions, em homenagem ao Detetive Milton Le Cocq, morto em serviço pelo criminoso conhecido como “Cara de Cavalo”, com vistas a congregar a população e a polícia em um único objetivo: o combate ao crime. A sua bandeira uma caveira com duas tíbias, foi e continua sendo motivo de muita incompreensão, embora simbolize a lembrança que todos somos iguais e que voltamos ao pó já que a vida é transitória e as sua iniciais E.M. faz remeter a unidade dentro da Polícia Especial que pertencia Le Cocq, ou seja, Esquadrão Motorizado, e não esquadrão da morte como querem incutir seus opositores;
4. Esquadrão da morte é um fenômeno complexo e multicausal, mas forjado dentro de uma base social sólida que possibilitou o seu nascimento e crescimento. A polícia é uma atividade de contato podendo haver contaminação, mas sempre prisma pela legalidade de suas ações. Por outro lado, não se pode confundir a morte em confronto com pena de morte. Quem dá pena de morte é bandido que não quer se recuperar, não respeita a lei e nem a força policial. A polícia é reativa e a morte daí resultante é aquela travada em combate, em defesa da própria vida e de terceiros. Portanto, não podemos concordar com aqueles que tentam rotular e macular a instituição policial pelos desvios de condutas praticados por uma minoria. De se ver, entretanto, que em pesquisa executada pela agência Marplan, contratada pela Revista Veja em 1970, constatou que 60% da população de São Paulo eram favoráveis ao “esquadrão da morte”; acrescente-se que em 1979, em reportagem sobre violência urbana e pena de morte transmitida pela Rede Globo no programa Fantástico, do total das 4.194 cartas recebidas 3.862 se declaravam favoráveis à pena de morte ou métodos afins para criminosos e assaltantes e mais da metade do total defendiam o esquadrão da morte e as execuções sumárias na rua. São dados bem expressivos e que devem ser levados em conta pelos experts das “ciências sociais”, para que, acordando do sono de Epimênides, parem de pensar a polícia como fazendo parte do “eixo do mal”; parem de pensar o mundo teórico e voltem para realidade. Chamo aqui a colocação, bem apropriada, da lição do nosso filósofo Luiz Felipe Pondé: ..Não há sociedade civilizada sem a polícia. Ela guarda o sono, mantém a liberdade, assegura a Justiça dentro da lei, sustenta a democracia. Ignorante é todo aquele que pensa que a polícia seja inimiga da democracia...” (frisos nosso). Assim, necessário se faz retirar essa capitis diminutio preconceituosa, inclusive no meio acadêmico, onde o conhecimento e experiências destes profissionais na área criminal são frequentemente alijadas. É preciso superação como fizeram os estudiosos da Belas Artes, não mais havendo em seu seio a odiosa discriminação entre Artes Superiores e Inferiores (odiosa restringenda benéfica amplianda).
5. E por fim, mas não menos importante, voltando a porfiar nosso tema central sobre os “12 homens de ouro”, que não eram 11 nem 21, deve-se, inicialmente, contextualizá-lo. Longe de lembrar os filmes de “james bond”, em alusão ao espião que tinha licença para matar, mas com forte apelo mediático, os “12 homens de ouro” somente tinham licença para atuar sem limites de fronteiras em todo estado e não usavam a famosa Walther PPK e sim a “Luciana”, nome carinhoso dado ao armamento utilizado; ao contrário de uma organização secreta constituíam um grupo de elite escolhidos a dedo pelo então Secretário de Segurança Luis de Oliveira França na gestão de Negrão de Lima, então governador do estado da Guanabara, para assegurar, a qualquer custo, a segurança do povo carioca, a semelhança ao que hoje sucede com o “CORE” na PCERJ e o BOPE na PMERJ, guardada as devidas singularidades. Vale lembrar que o crime organizado, surgido na década 20 nos EUA, começava a dar suas caras no Rio de Janeiro pelo ano de 1957, como comprova o “modus operandi” da chacina ocorrida no mercado peg- pag no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro, em que se utilizou, pela primeira vez, forte poderio bélico através do uso da metralhadora INA de fabricação do exercito nacional, bem como os assaltos levados a cabo pela quadrilha intitulada da “bandeira 2”; no mesmo sentido, vem a calhar os dados da criminalidade levantados em 1969 pela revista Veja informando que somente em 1968 a guerrilha teria praticado 23 atentados a bomba a maioria deles em São Paulo e 40 assaltos, com destaque para os roubos ao carro pagador do Instituto de Previdência do Estado da Guanabara e ao trem-pagador da Estrada de Ferro Santos - Jundiaí. Portanto, eram verdadeiros “anos de chumbo” justificando, por si só, as medidas restritivas impostas pelo Estado de exceção, sendo válida a assertiva de que “não se combate terrorismo com flores”.
Assim, finalizando, nossos sinceros agradecimentos em louvor ao passado destes homens que, com bravura e destemor, quando chamados ao enfrentamento dos criminosos violentos e perigosos, não titubearam em responder com o “braço forte” da lei. Portanto, em sua homenagem deixo aqui registrado, para efeito de transcrição para novas gerações, os nomes daqueles que mereceram este título: 1º)Anibal Beckman dos Santos (“Cartola”); 2º) Euclides Nascimento Marinho; 3º) Helio Guaíba; 4º) Humberto de Matos 5º) Jaime de Lima; 6º) Lincoln Monteiro; 7º) Mariel Mariscot; 8º) Nelson Duarte; 9º) Neils Kaufman (“Diabo Loiro”); 10º) José Guilherme Godinho, (“Sivuca”); 11º) Vigmar Ribeiro e 12º) Elinto Pires.
Ass. Antenor C. Rego Neto – Delpol 1ª Classe

 
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