NOVO MÉTODO PARA CONTAR AS BALAS PERDIDAS

31/07/2015

Fonte : Extra - O Globo
 
 

Carolina Heringer
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A Polícia Civil decidiu voltar atrás em seu projeto para modificar a forma de contabilizar as vítimas de balas perdidas no Rio. Depois da publicação da série “Estatística de Festim” pelo EXTRA, o chefe de polícia, delegado Fernando Veloso, decidiu que serão incluídas na estatísticas aquelas pessoas que forem atingidas por um disparo de arma de fogo, mas não eram alvo do atirador. A proposta inicial era contabilizar apenas os casos nos quais fosse totalmente desconhecida a dinâmica que deu origem ao disparo que atingiu a vítima.
A novidade já foi implementada no sistema da Polícia Civil e está em teste, desde quarta-feira, em quatro delegacias. A partir de segunda-feira, já estará funcionando em todo o Estado. Sem preencher a informação, o policial não poderá finalizar o registro.
O Instituto de Segurança Pública (ISP) é o responsável por coletar esses dados e fazer as estatísticas. Desde 2007, o órgão contabilizava apenas os casos nos quais houvesse o termo bala perdida no campo dinâmica do fato do registro.
Para estudar as mudanças, Fernando Veloso e Joana Monteiro, presidente do ISP, convocaram o sociólogo Ignacio Cano e a a cientista social Sílvia Ramos. Ambos foram ouvidos pelo EXTRA, na série “Estatística de Festim”, em matéria criticando a proposta inicial de mudança que havia sido feita.
- Nós concordamos com a colocação de que o conceito (inicialmente proposto) não iria atender a demanda da sociedade. Nosso medo era criar um conceito confuso ou subjetivo demais, mas acredito que agora temos uma regra clara e que vai nos trazer um número confiável - aposta Veloso.
A presidente do ISP, Joana Monteiro: resposável por estatística.
A presidente do ISP, Joana Monteiro: resposável por estatística. Foto: Extra / Marcio Alves
De acordo com Fernando Veloso, para contabilizar as vítimas de bala perdida, foi criado um campo, nos registros de ocorrência de homicídio, lesão corporal por projetil de arma de fogo e roubo seguido de morte (e também nas formas tentadas dos crimes) para que o policial assinale se a vítima era ou não alvo dos disparos. Os policiais vão trabalhar com as informações hipotéticas, que existirem no momento em que o registro é feito.
A série “Estatística de Festim” mostrou que a forma utilizada desde 2007 para contabilizar os casos de balas perdidas no Rio era falha. De acordo com essa metodologia, entre janeiro de 2014 e junho deste ano, sete pessoas morreram por balas perdidas, e 160 ficaram feridas no Estado. O EXTRA levantou outros 39 mortos e 94 baleados no mesmo período que não entrariam para a estatística.
Depois de ser questionada por seis meses sobre os dados dos crimes, o ISP e a Polícia Civil anunciaram, quatro dias antes do início da publicação da série, que mudariam a metodologia para contar as vítimas de disparos a esmo. Mas a segunda reportagem da série mostrou que da nova forma proposta, o número de mortos por disparos a esmo levantados pelo EXTRA de janeiro do ano passado a junho de 2015 diminuiria em 91%.
‘Não havia uma política’
Para Silvia Ramos, a série “Estatística de Festim” foi essencial para provocar mudanças na forma de contabilizar as vítimas de balas perdidas.
— É um caso no qual a imprensa cumpriu seu papel fundamental de fazer uma crítica qualificada sobre algo que estava sendo feito equivocadamente e poderia ficar ainda pior com as mudanças que tinham sido apresenta das. Foi um trabalho de apuração muito sério e paciente que teve o resultado merecido — analisa.
Silvia afirma ter ficado satisfeita com a nova metodologia:
— Não havia uma política de fato para contabilizar essas pessoas que acabam sendo vítimas da violência mesmo sem serem alvo. Agora, esperamos que esses indicadores se aproximem da realidade. Vamos acompanhar esse processo.


Leia mais: http://extra.globo.com/casos-de-policia/apos-serie-do-extra-policia-volta-atras-muda-forma-de-contabilizar-vitimas-de-balas-perdidas-17026830.html#ixzz3hTw8p9Ec

 
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