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Janeiro/2014
A PRECURSORA EXPERIÊNCIA DO DELEGADO PAULO SOUTO (PCERJ) FOI UMA DAS.. - 13/04/2012
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Fonte : Blog do Disque Denúncia

A precursora experiência do Delegado Paulo Souto (PCERJ) foi uma das bases da implantação do Disque Denúncia em 1995.

Histórias do Disque-Denúncia

O Delegado que Panfletava Cadáveres - 1991

Em abril de 1991, quatro anos antes da criação do Disque-Denúncia, o delegado Paulo Souto (mais tarde subsecretário de Integração Operacional da Secretaria de Segurança) assumiu a delegacia de Comendador Soares, em Nova Iguaçu. Os grupos de extermínio impunham o terror na região. Na delegacia de Paulo Souto, o número de homicídios oscilava entre 20 e 25 ao mês, e já no dia da posse houve três assassinatos. Os crimes ocorriam principalmente em determinados bairros e tinham características semelhantes.

Um homicídio numa localidade chamada Palhada, porém, viria a mudar a rotina da delegacia. A vítima era um rapaz entre 19 e 20 anos, baleado perto de uma birosca. “Eu cheguei de gravatinha e prancheta e comecei a perguntar se as pessoas o conheciam”, lembra Paulo Souto. “Só descobri que ele era da localidade. E nada mais”. Ainda assim, o delegado insistiu em ficar. Num dado momento, um bêbado irrompeu a cena do crime. “Doutor, todo mundo aqui sabe quem matou”, gritou o bêbado. Fez-se um silêncio de cemitério. E ele recomeçou: “Eu também sei”. À medida que o delegado se aproximava, o bêbado reagiu: “Não adianta nem vir falar comigo porque eu não vou falar. Se eu falar eu vou morrer”. Seguiu-se uma risada constrangida. E ninguém disse mais nada. “Saí dali com inúmeras testemunhas arroladas e a nítida sensação de que estava sendo enganado. Todo mundo sabia quem era o assassino, mas ninguém iria me dizer porque corria risco de vida”, diz o delegado. “No decurso da investigação vim a saber que naquele dia o criminoso estava no bar, misturado às testemunhas”.

Ao regressar à delegacia, Paulo Souto sentia-se de pés e mãos atados. Sabia que precisava das testemunhas para esclarecer o crime e sabia que elas tinham medo de falar. “Foi quando eu resolvi criar um panfleto, chamado panfleto do cadáver. Era um quarto de folha de ofício que dizia o seguinte: ‘Você que presenciou este crime certamente será a próxima vítima. Denuncie por carta ou por telefone ao delegado Paulo Souto. Não precisa se identificar. Denuncie anonimamente’. Abaixo, o telefone da delegacia”, conta. A cada homicídio, 200, 300 panfletos eram distribuídos ao redor da área do crime. Enquanto isso, o delegado freqüentava reuniões de moradores, tentando ganhar a confiança da população. As denúncias não tardaram a chegar. “Aos poucos fomos identificando os matadores pelos bairros e centrando as investigações neles. Durante o ano de 1991 um número grande de criminosos foi preso graças às denúncias anônimas. Depois vim a saber que isso já tinha sido usado muitos anos antes no Canadá”, relembra Paulo Souto.

A precursora experiência do delegado Souto foi uma das bases da implantação do Disque-Denúncia em 1995.