Notícias
ATOS DA CHEFE DE POLÍCIA... - 15/05/2012
Fonte : Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro

ATOS DA CHEFE DE POLÍCIA

DISCURSO DE ABERTURA DA SOLENIDADE DE ENTREGA DE MEDALHA DA AMIZADE, EM 10/05/2012.

Hoje, uma vez mais, estamos nesta Casa de Ensino para reverenciar nosso passado, na certeza de que conhecê-lo nos ajuda a entender nosso presente, de modo a planejar um futuro melhor. Assim, hoje podemos dizer que a Polícia Civil do Rio de Janeiro tem um atributo incontestável: é a primeira polícia de natureza civil no Brasil. Criada em 1808, mesmo ano da chegada da Família Real Portuguesa, foi a verdadeira inspiração das demais polícias brasileiras.
Pensando exatamente em 1808, não há como deixar de mencionar a figura de Dom João VI, que não obstante as atribulações, deixou uma marca duradoura especialmente no Brasil, criando inúmeras instituições e serviços que sedimentaram a autonomia nacional, sendo considerado por muitos pesquisadores o verdadeiro mentor do moderno Estado brasileiro.
Dom João tinha por escopo organizar uma polícia eficiente, visando precaver-se contra espiões e agitadores franceses. Sua ideia era dispor de um corpo policial com caráter de polícia política , que defendesse a Corte e ao mesmo tempo lhe informasse sobre o comportamento do povo, que deveria ser preservado do contágio das “temíveis” ideias liberais que a revolução francesa irradiava pelo mundo.
Mas o tempo passou e, hoje,no Estado Democrático de Direito, o observador atento dirá que a polícia pertence à sociedade e é um reflexo dela e, portanto, tranforma-se e renova-se nos moldes das mudanças vividas pela própria sociedade.
Na comemoração destes 204 anos de nossa Instituição, como parte de nossa contribuição para o futuro da Polícia e da sociedade, podemos dizer que a Polícia Civil do Rio de Janeiro, almeja manter-se na defesa das causas mais nobres, zelando pela aproximação com a sociedade, pela liberdade contra a opressão, na certeza de que não há esforço perdido na busca da verdade e da Justiça.
Assim, como Chefe da Polícia Civil, sinto-me obrigada a apresentar, ao povo do meu Estado, o fruto de mais um ano de existência, certa de que vencemos muitas dificuldades, algumas que nos pareciam instransponíveis,seguimos com orgulho e de cabeça erguida, sem fraquejar na luta, com honra e grandeza, como devem ser os Policiais Civis.
Não pretendo fazer um balanço abrangente e detalhado, não só porque seria demasiado longo, mas também porque a história da Polícia Civil é maior do que mais um ano de sua existência. Pretendo falar aqui de valores, de princípios, dos critérios que nos orientaram neste ano que se foi. Vou apenas mencionar ações típicas da Polícia Civil, com seu mister investigativo, seu caráter de Polícia Judiciária e seu compromisso em alcançar a verdade e a justiça. É fato que por certo vou mencionar várias de nossas ações como exemplos, não só porque me orgulho do que fizemos, mas do que estamos fazendo e do que ainda faremos.
E assim, falo porque, como princípio, nunca cultivamos o silêncio da impunidade ou a convivência com o malfeito. Fazemos parte de uma instituição honrada, de espírito empreendedor e amante da justiça, com disposição de enfrentar desafios e vencê-los com trabalho sério e com coragem.
Assim, com orgulho posso dizer que ainda há pouco estávamos comemorando, em 2011, o aniversário da Polícia Civil e hoje, neste novo ano, a Polícia Civil do Rio de Janeiro foi responsável pela lavratura de DEZENOVE MIL, NOVECENTOS E TRINTA E SETE (19.937); AUTOS DE PRISÃO EM FLAGRANTE, pela conclusão de SETENTA E CINCO MIL, QUATROCENTOS E SESSENTA E UM (75.461); INQUÉRITOS POLICIAIS, pela efetivação, por policiais civis, de DEZESSEIS MIL, DUZENTAS E CINCO (16.205); PRISÕES, seja em flagrante delito ou por cumprimento de Mandado de Prisão, dentre estas, a de VINTE E NOVE (29); CHEFES DO TRÁFICO DE DROGAS e TRINTA E OITO (38); MILICIANOS; e, finalmente, pela apresentação, ao Poder Judiciário, de CINCO MIL e CINQUENTA E OITO (5.058); REPRESENTAÇÕES POR PRISÃO. Quero apenas deixar registrado, através destes números, o resultado de um ano de árduo trabalho e incansável dedicação. Não pretendendo estabelecer nenhuma comparação com essa ou aquela Administração. O que pretendo apenas é tornar público que esta Casa é composta de homens e mulheres que, ao final de cada dia, demonstram competência e coragem.
Perdoem-me talvez a ousadia, mas é impossível não ter orgulho desta secular Instituição e destes valorosos policiais civis que a integram. Aqui, aprendemos que pouco importa o papel de cada um. Percebemos que brio profissional significa preparo, coragem, valores éticos, inconformismo e luta permanente para desejar e conquistar um presente e um futuro melhor. Esta é a Polícia Civil da qual tenho orgulho de estar em seu quadro e de ora estar à frente, fazendo parte dos avanços em sua estrutura e, ao mesmo tempo, fazendo acontecer esses avanços, tentando acompanhar a modernidade. É um momento ímpar para qualquer pessoa que se veja no cargo que estou ocupando.
Tendo eu apresentado o fruto de nossa coragem e competência, parece-me apropriado, então, lembrar os gregos que, ao criarem as medalhas, o fizeram com o fim de imortalizar seus ídolos. Para eles, infelizes os povos que não cultivavam seus benfeitores e heróis, sendo estes os que lutaram por sua gente, no terreno das ideias ou nos campos de batalha.
Por isso, as medalhas ainda hoje trazem sempre uma mensagem e implicam necessariamente que deve haver sintonia entre os que as outorgam e os que as recebem. É o caso da Polícia Civil e seus homenageados, que, neste ato,são batizados AMIGOS DA POLÍCIA CIVIL . Assim, algo espiritual nos une, solidificando a consciência de quem recebe e a responsabilidade de quem outorga.
A MEDALHA DA AMIZADE, além de honrar o passado desta Instituição e, em particular, de seus agraciados, também nos projeta ao futuro, mostrando que, em todas as épocas, existem desafios, que podem ser vencidos pelo trabalho.
Posso, sem medo de errar, dizer que todos nós – Policiais Civis e Homenageados, temos como dádiva a oportunidade de trabalhar duro por coisas que realmente valem a pena. Por isso, quero, de modo especial, agradecer aos nossos queridos homenageados que, com sua amizade, serviram de inspiração em muitas de nossas ações.
Agora sim, já tendo olhado o passado, vivendo o presente e fazendo o futuro, vejo tudo o que fomos e fizemos. E isso nos dá força e coragem para o que há de vir. Mas este é o momento de dizer aos nossos homenageados: Obrigada por sua amizade, pela confiança e pelas vitórias que, com certeza, o futuro nos dará. Parabéns a todos! VIVA A POLÍCIA CIVIL!